Nasci em 1955 já com uma bola de rugby.
O meu pai, José Manuel Silva e Sousa, tinha sido jogador do Sporting (sabiam que já teve rugby?) e do Ginásio Clube Português, jogando então no G.D. Direito e eu, com o meu irmão mais velho, acompanhávamos os jogos no Universitário. Lembro-me de irmos com ele aos treinos só para fazermos número é que só abriam os balneários para treinar se fossem 15. Escolhia-se um par de botas de travessas (não havia pitons) cheias de pregos disponibilizadas pelo Porteiro do balneário e ia-se para o campo.
Tínhamos então 5,6,7 10 anos e nos jogos fazíamos de bandeirinhas tentando inclinar sempre o jogo para o lado do GDD. Fiz o meu primeiro jogo em Novembro de 1967, penso que terá sido o primeiro jogo oficial de camadas jovens em Portugal, no antigo campo do Benfica juntinho ao “José de Alvalade”, pelo GDD e ainda hoje me recordo de um hand-off de um rapazinho alto, loiro, magricelas que me fez voar uns bons metros, um tal de Rafachinho do Benfica. Uns 20 anos depois terei feito o último jogo em Évora pelo Técnico…com uma semana de cama e uns joelhos desfeitos. Desde aí só voltei a jogar, num evento comemorativo deste clube…em que um convidado de uma equipa inglesa me levou literalmente um dedo ao passar por mim. Ainda me lembro da cara horrorizada do jovem bandeirinha quando lhe pedi para me tentar endireitar o dedo…(Tinham-me pedido precisamente o mesmo, uns 30 anos atrás, um jogador do CDUL..e eu… larguei a bandeirola!)… Desde então só muito esporadicamente me cruzei com o rugby. Até que num destes dias a minha filha Rita me disse que tinha uma colega na escola, a Daniela, que jogava na Moita e que gostaria de ir ver um treino. E fomos ver na 3ª feira……e ela quis voltar na 5ª equipada…e jogou nesse fim de semana…logo a seguir estávamos em Sevilha onde vi umas valentes miúdas a baterem-se, com atitude, frente a adversárias mais velhas e experientes com muito mais treinos… E o Rugby voltou!...na Moita na margem sul .onde só me lembro de jogar no Barreiro e ter de atravessar a linha-férrea para ir do balneário ao campo… Depois, foi chegar ao campo do Gaio no último fim-de-semana às 9.30 da manhã e ver o Presidente Valter, sem camisa, com o carrinho da cal a marcar o campo. O treinador António a pôr as bandeirolas…e mais um… dois a ajudar. E, nesse dia, foi ver a ATITUDE em campo das miúdas; a garra e valentia que as levou a obter a sua primeira vitória, precisamente no último dia do campeonato, frente ao Cascais, com quem tinham umas contas a ajustar. Presenciei também à extraordinária ATITUDE do treinador Amaral, entrando em campo, após o ensaio que dava quase a certeza da vitória, aos gritos audíveis, exigindo o respeito pelas adversárias e a concentração no jogo cortando os festejos excessivos das jovens. E sabemos a alegria que lhe estava na alma naquele momento… Foi bom voltar a sentir o RUGBY e os valores únicos deste desporto colectivo. O compromisso com a equipa, o espírito de entreajuda, o respeito pelos outros e a atitude perante os desafios. Os mais de 100 miúdos que jogam no RVM vão poder interiorizar tudo isso e a malta do rugby sabe que no futuro serão melhores Homens e Mulheres, em casa e nas empresas, na prática da cidadania em prol de um mundo melhor. E tudo graças a 7 ou 8 malucos que puseram de pé o RUGBY da VILA DA MOITA! Parabéns ao Valter, ao João Luís e ao António Amaral… mais aos 4 ou 5 que não conheço.…
OBRIGADO Vale a pena!
P.S.: A camisola do RVM, oferecida pelo Presidente, levei-a vestida a ver o Portugal Espanha e cruzei-me com malta do Direito e do Técnico do meu tempo, que logo fez aquele sorriso trocista de quem se me apanhasse a jogar me daria cabo do canastro por ter mudado de equipa… coisas do rugby…
Mas fica-me tão bem aquele azul claro e o Touro destemido a olhar para eles…
VIVA O RVM! |